Segurança nas escolas: como lidar com a onda de ataques?

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Segurança nas escolas: como lidar com a onda de ataques?

por Paulo Musa*

Nos últimos dias estamos vendo ameaças de ataques em massa colocando em risco a segurança nas escolas e trazendo à tona referências como o massacre na escola Columbine, ocorrido em 20 de abril de 1999, no estado do Colorado, nos Estados Unidos. Na ocasião, dois alunos abriram fogo contra seus colegas e professores, matando 12 estudantes e um professor, além de ferirem outras 24 pessoas.

Esse acontecimento teve um grande impacto na sociedade americana e em todo o mundo, gerando um intenso debate sobre a violência armada, bullying, isolamento social e saúde mental. O ocorrido também resultou em mudanças significativas na forma como as escolas americanas lidam com a segurança e a prevenção de ataques em massa, incluindo medidas como a implementação de sistemas de alarme, treinamento de professores e alunos em protocolos de segurança e a presença de policiais armados em escolas.

No Brasil, o caso ocorrido na cidade de Suzano, interior paulista, em 2019, foi o que despertou a atenção para a questão dos agressores ativos e levantou discussões sobre a necessidade de políticas públicas voltadas para a prevenção de crimes violentos e para o enfrentamento da violência nas escolas. Desde então, o tema tem sido objeto de debates e estudos por parte de especialistas em segurança pública e educação. Agora, com um novo caso ocorrido recentemente na zona Oeste de São Paulo, com o ataque e a morte de uma professora, o tema novamente ganhou destaque.

Um ponto importante a ser considerado e que mais preocupa nessas ameaças é como as autoridades e, principalmente, a mídia devem abordar e relatar esses eventos. A cobertura excessiva e sensacionalista pode aumentar a busca por notoriedade e, assim, inspirar outros a seguirem os passos do agressor ativo. Por outro lado, a cobertura responsável pode ajudar na prevenção de futuros ataques e na promoção da segurança pública.

Considerando que o tema se tornou alarmante e a orientação é não esperar existir alguma evidência para tomar uma atitude, as escolas podem iniciar suas adaptações de forma preventiva com algumas medidas de curto prazo e que não requerem alto investimento, tais como a avaliação de risco, que visa apoiar na identificação de áreas vulneráveis ​​e na implementação de medidas de segurança adequadas. Além disso, o treinamento em segurança deve ser fornecido para alunos, professores e funcionários com a finalidade de que todos estejam cientes dos procedimentos de segurança e saibam como responder a uma emergência. Aqui se utilizam conceitos como correr, esconder e ligar usados em uma situação real. Também é importante que os vigilantes sejam capacitados para promoverem uma pronta resposta.

Pensando num médio prazo, ações que precisam de maior planejamento e que são complementares, porém requerem maior tempo de implantação, envolvem o controle de acesso, obtido por meio da implementação de um sistema para impedir a entrada de pessoas desconhecidas ou não autorizadas nas instalações. Portões, catracas e guardas de segurança são algumas iniciativas que podem ser adotadas pelas escolas. Ainda nesta esfera, as melhorias físicas como portas reforçadas, janelas resistentes a impactos e câmeras aumentam a segurança e dificultam a entrada de agressores.

Indo além dessas medidas, é preciso considerar os passos que requerem mais conhecimento técnico e acrescentam ações de inteligência, tais como o monitoramento de redes sociais e outras formas de comunicação, que ajudam na detecção de ameaças e comportamentos suspeitos.

Também faz parte das ações a serem adotadas a criação de um plano de emergência detalhado, que inclua rotas de fuga, pontos de encontro e procedimentos para lidar com um agressor ativo. Além disso, é recomendado o estabelecimento de parcerias com as autoridades locais, como a polícia, para receber treinamento em segurança e apoio em caso de emergência.

Uma vez que cada escola é única, ela pode requerer medidas de segurança diferentes e individualizadas. Por isso, é importante que essas instituições levem a segurança a sério, criando protocolos de reação e implementando medidas adequadas de prevenção, assim como existe hoje para os primeiros socorros.

Na outra ponta, os pais devem manter a calma e não serem a parte que assusta os estudantes, evitando assim um trauma de ir à escola. A função deles é acolher, explicar que são questões raras e escutar seus filhos caso tragam algum comentário sobre colegas que apresentam atitudes fora da normalidade.

O trabalho conjunto de treinamento de profissionais de segurança das escolas, do corpo docente e dos alunos para uma pronta resposta às situações de ataques, junto ao apoio dado pelos pais de suporte emocional, são saídas para lidar com este novo problema que surge em nossa sociedade.


*Paulo Musa é consultor master em Segurança da ICTS Security, empresa de origem israelense que atua com consultoria e gerenciamento de operações em segurança.

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