Rio de Janeiro a janeiro: uma violência sem fim

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Rio de Janeiro a janeiro: uma violência sem fim

O despertar de um “dia normal” na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro já demonstra, por meio das notícias matutinas, que mais uma vez será necessário rezar, ter todo o cuidado e, até mesmo, sorte para se manter vivo.

Não é difícil de aceitar que o dedo não sai do gatilho, que o pino da granada há muito já foi movido. Uns mais outros menos, mas todos por aqui estão vulneráveis e suscetíveis à violência.

O mosaico de ecossistemas criminais está cada vez mais diverso, em curva ascendente, demonstrando potencial ações efetivas contra seus rivais.

A ilusão do samba, praia e futebol utilizada pelas autoridades públicas para nos despistar já não dá mais conta. A violência está totalmente fora de controle e não se consegue mais ser colocada embaixo do tapete.

Insegurança não é mais uma simples sensação sentida pela população carioca. Já virou realidade. Historicamente nada foi tratado. Como melhor exemplo são os antigos grupos de extermínio se tornarem as milícias de hoje. E tudo seguiu e segue para políticas partidárias, ou seja, de interesse momentâneo.

E o crime cada vez mais organizado se reinventa. Os “Pablos Escobares” ditam regras de como se portar e vão angariando respeito gerado pelo medo. O dito poço sem fundo aqui é real.

O caminho da retomada será uma longa e bem pesada jornada e deve começar por nós dentro de uma não aceitação, de não se colocar na permissividade e na passividade, sem nunca perder a razão e com muita calma na tempestade.

Uma imprensa livre, sem interesses e ao lado do povo é fundamental nesta virada. Informar, dialogar e respeitar a opinião é necessário. Especificamente na segurança pública, é necessário tirar gestos vazios sem um significado prático. E isso se fará dando autonomia às polícias e as separando imediatamente da política.

Permanência em cargos, cronogramas e ações devem estar fora de qualquer calendário político, ou seja, nada deveria estar ligado ao calendário eleitoral.

Já os programas de investimentos privados, esses sim se fazem necessários, mas sem passar pelo público, sem ser programa de arrecadação. Aqui está uma armadilha cruel que deve estar fora do jogo. Os investimentos devem ser de patrocínio e conservação, enquanto o setor público só deve fiscalizar e operar.

Gestão profissional, inovação, tecnologia e uma polícia de proximidade, tudo isso repensando as questões polêmicas da audiência de custódia e das regras para soltura de apenados. O crime não pode compensar.

Combater e confrontar é inevitável, mas é necessário dar um passo atrás. É preciso quebrar a logística do crime e dar um basta no famoso enxugar gelo, na condição de expor a população e no problema dos policiais que seguem trabalhando em condições sub-humanas.

Inteligência, poder e apoio ao lado do bem.
Isolamento, privação e disciplina aos do mal.


Carlos Guimar é especialista em segurança pública e privada e diretor associado de segurança empresarial na ICTS Security, consultoria e gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense.

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